Por Heloísa Moraes de Abreu Salgado
O cenário da habitação de interesse social em Goiás enfrenta desafios significativos que precisam ser discutidos no âmbito das políticas públicas e das estratégias do setor imobiliário. É fundamental destacar a realidade atual e as expectativas para 2026, considerando os entraves que limitam o acesso à moradia e as oportunidades que podem surgir ao superá-los.
Embora o mercado imobiliário tenha apresentado um crescimento considerável do valor do metro quadrado em Goiânia, especialmente no segmento de alto padrão, o setor econômico não reflete esse crescimento para a habitação social. O maior limitador nesse caso é a renda do cliente. Muitas famílias que se enquadram nas faixas de renda do MCMV enfrentam dificuldades reais para acessar moradias adequadas. Apesar de necessariamente precisar compensar os aumentos dos custos, os preços têm subido de forma desigual em relação à capacidade financeira da população, e o recente aumento dos tetos do programa federal não se aplicou a Goiânia e região metropolitana.
É fato que o setor de habitação voltada para o perfil econômico tem atraído muitos players, tanto locais quanto externos. Essa competitividade é atrativa para o cliente, pois força os incorporadores a oferecerem mais atrativos e diferenciais em seus produtos. No entanto, a disputa por terrenos, fornecedores, prestadores de serviços e mão de obra qualificada tem se intensificado, tornando-se um desafio no segmento.
Outro ponto de atenção são os altos custos de infraestrutura, que envolvem obras de água, esgoto e energia. Esses gargalos impactam diretamente nos custos dos empreendimentos e não se refletem no preço das moradias da maneira que deveriam, devido à fixação do teto do MCMV, como já dito.
Além disso, a burocratização imposta pelas prefeituras afeta diretamente a velocidade com que as demandas habitacionais são atendidas e limita o crescimento do setor. A lentidão na análise e aprovação de projetos resulta em longas esperas. Isso gera frustração tanto entre construtoras quanto entre famílias que aguardam por moradias. É imprescindível que os municípios reconheçam os benefícios de uma maior agilidade nas liberações de empreendimentos. Ao facilitar esse processo, os gestores não apenas ajudam a reduzir a lista de famílias em busca de moradias, mas também contribuem para o crescimento econômico local, gerando empregos e aumentando a arrecadação.
Em síntese, os novos caminhos da habitação social em Goiás até 2026 são desafiadores, mas devem ser trilhados com determinação. A colaboração entre o setor privado e os governos, a possibilidade de revisão do teto do MCMV, a velocidade nas liberações de empreendimentos e a diversificação das ofertas são passos fundamentais. Esses fatores garantirão que o futuro da habitação de interesse social se torne cada vez mais sustentável, equilibrando as melhores oportunidades para os clientes e resultados positivos para as empresas atuantes.
Heloísa Moraes de Abreu Salgado é Arquiteta e Urbanista, Gestora de Desenvolvimento Imobiliário de Goiás e Distrito Federal da MRV.

