Por Diego Martins Silva do Amaral*
No mundo dos negócios, a prevenção é sempre mais eficaz e econômica do que a correção. Um jurídico estratégico, que atua de forma integrada desde a concepção de um empreendimento, pode ser a chave para evitar passivos financeiros significativos. Essa abordagem é fundamental para garantir a segurança e a sustentabilidade dos negócios, permitindo que as empresas operem com mais confiança e menos incertezas legais.
O jurídico estratégico se define como uma prática que busca integrar decisões jurídicas ao planejamento e à execução de projetos. Ao antecipar riscos e problemas potenciais, os profissionais do direito podem orientar gestores na tomada de decisões que minimizem possíveis complicações. Essa atuação não só reduz a possibilidade de litígios, mas também propicia um ambiente de negócios mais seguro e estável, onde a conformidade com a legislação é priorizada.
Um dos principais benefícios da ação preventiva do jurídico estratégico é a redução de riscos. Isso se aplica a diversas áreas, como riscos contratuais, trabalhistas e regulatórios. Na esfera contratual, a elaboração de documentos claros e detalhados, com cláusulas que prevejam cenários adversos, é essencial. O acompanhamento jurídico durante a fase de negociação evita mal-entendidos e disputas futuras, que podem resultar em perdas financeiras significativas.
No que diz respeito aos riscos trabalhistas, a conformidade com a legislação desde o início do projeto é crucial. O jurídico pode auxiliar na criação de políticas internas que respeitem os direitos dos colaboradores, promovendo um ambiente de trabalho saudável e seguro. Isso não só protege a empresa contra possíveis ações judiciais, mas também contribui para a retenção de talentos e a satisfação dos funcionários.
Além disso, em setores altamente regulados, o jurídico estratégico deve estar envolvido na análise das normas e regulamentos aplicáveis. Isso garante que o empreendimento não enfrente sanções, multas ou até mesmo a suspensão de suas atividades. A antecipação de requisitos regulatórios e a elaboração de planos de ação para atender a essas exigências são fundamentais para a continuidade dos negócios.
Diversos casos demonstram a eficácia do jurídico estratégico na prática. Uma startup de tecnologia, por exemplo, implementou essa abordagem desde sua fundação e conseguiu evitar uma multa de milhões por não conformidade com a legislação de proteção de dados. Isso foi possível graças à assessoria jurídica na elaboração de suas políticas de privacidade, que garantiram um tratamento adequado das informações dos usuários.
Outro exemplo é o de uma construtora que integrou advogados em sua equipe de projeto. Essa decisão resultou em uma redução significativa no número de litígios trabalhistas, uma vez que a empresa criou um programa de compliance que abordava todas as etapas, desde a contratação até a segurança no trabalho. Esses casos ilustram como a atuação preventiva do jurídico pode trazer retornos financeiros expressivos e maior segurança operacional.
No entanto, a implementação de um jurídico estratégico não é isenta de desafios. Muitas empresas enfrentam resistência à mudança cultural, além de uma falta de compreensão sobre a importância desse modelo de atuação. É fundamental que as organizações reconheçam o valor de ter um jurídico proativo e integrado, que não apenas responda a problemas, mas que também os antecipe e evite.
Ao final, a adoção de uma abordagem jurídica estratégica pode transformar a maneira como as empresas operam, proporcionando uma base sólida para o crescimento sustentável e a inovação. A prevenção de passivos milionários e a criação de um ambiente de negócios mais seguro não são apenas vantagens competitivas, mas sim necessidades fundamentais para sobrevivência e sucesso no mercado atual. As empresas que investem em um jurídico estratégico, portanto, não apenas protegem seus interesses, mas também posicionam-se de maneira mais favorável para o futuro.
*26 anos de experiência no mercado imobiliário. Eleito entre as 100 pessoas mais influentes do mercado imobiliário brasileiro. Advogado, sócio do Dias & Amaral Advogados Associados, Presidente da Comissão de Direito Imobiliário e Urbanístico da OAB/GO, gestões 2016/18 e 2019/21. Diretor da Comissão de Direito Imobiliário da OAB Nacional, gestão 2022/24. Membro dos Conselhos Jurídicos da CBIC, Ademi/GO e Ademi/RV. Conselheiro Seccional da OAB/GO, gestões 2016/18 e 2019/21. Ex-Presidente da Escola Superior da Advocacia da OAB/GO. Ex-diretor jurídico do CODESE. Professor em vários cursos de pós-graduação em Direito Imobiliário de diversas instituições de ensino e coordenador na Dalmass. Membro fundador do ImobClub. Árbitro, autor e palestrante no âmbito dos negócios imobiliários.

