Em um cenário marcado por transformações econômicas e desafios globais, o setor da construção civil caminha para 2025 com expectativas de retomada gradual e necessidade de adaptação a um ambiente dinâmico. Para explorar as perspectivas do próximo ano, conversamos com Cláudio Henrique de Oliveira, economista e Assessor Econômico da Federação das Indústrias do Estado de Goiás (FIEG), que analisa os fatores promissores, os maiores desafios e as oportunidades geradas por este cenário. “Embora o setor da construção civil enfrente desafios significativos em 2025, como restrições de crédito e preços de insumos, ele também encontra oportunidades na inovação, sustentabilidade e políticas públicas focadas em infraestrutura. A adaptação das empresas às mudanças econômicas será crucial para aproveitar as tendências e mitigar os impactos negativos”, assinala.
- Como você enxerga o cenário econômico para a construção civil em 2025? Quais são os fatores mais promissores e os maiores desafios?
O setor da construção civil em 2025 enfrentará um cenário econômico desafiador, marcado por taxas de juros ainda elevadas e recuperação moderada do PIB. A inflação em trajetória de controle pode favorecer uma ampliação da retomada, porém de forma gradual, especialmente em segmentos como infraestrutura pública.
O segmento tem tido um bom comportamento em 2024, destacando que se trata de um setor cíclico, pois as obras duram de um a dois anos, e este fato corrobora para a manutenção dos fluxos gerados no setor.
Os custos das obras consistem num dos maiores desafios, ou seja, equacionar um incremento na produção e a viabilidade da obra. Tal dicotomia exige e exigirá elevado grau de análise, controle e arrocho mercantil.
Outro aspecto que se faz presente como desafios é a oferta e qualificação da mão de obra. Situação recorrente e que tem exigido esforços para qualificação e o pagamento de salários mais elevados.
Como fatores promissores temos o novo PAC - Programa de Aceleração do Crescimento. O Novo PAC tem um investimento total de R$ 1,7 trilhão e está previsto para ser executado em todos os estados do Brasil. Alguns dos investimentos previstos são:
- Urbanização de favelas
- Abastecimento de água
- Esgotamento sanitário
- Resíduos sólidos
- Mobilidade urbana
- Prevenção a desastres naturais
- UBSs, policlínicas e maternidades
- Creches, escolas e ônibus escolares
- CEUs da cultura e projetos de patrimônio histórico
- Espaços esportivos comunitários
Além do PAC tem-se o marco do saneamento básico que poderá render dividendo ao setor da construção; a retomada do projeto minha casa minha vida; e acima de tudo o bom momento do setor agropecuário e os negócios gerados nestes segmentos e os ganhos obtidos. Tais ganhos se consolidam em aquisições imobiliárias rurais ou urbanas, bem como investimentos em obras fixas atinentes aos negócios.
Fatores promissores:
- Estímulos governamentais para habitação e infraestrutura.
- Inovação tecnológica e construção sustentável.
Maiores desafios:
- Acesso restrito ao crédito devido às altas taxas de juros.
- Crescente pressão de custos nos insumos.
- Com a expectativa de variações nas taxas de juros, qual o impacto direto e indireto para o setor da construção civil, especialmente no que se refere ao financiamento de projetos e ao crédito imobiliário?
A política monetária restritiva continuará a influenciar o custo do crédito imobiliário, dificultando financiamentos tanto para consumidores quanto para empresas. Esse cenário deve levar construtoras e incorporadoras a buscarem alternativas, como financiamento privado ou parcerias público-privadas, para viabilizar projetos. O capital estrangeiro é uma boa saída, principalmente pelos baixos juros cobrados. Importante a realização segura por meios lícitos e do conhecimento de contratos internacionais.
- Impacto direto: Redução da demanda por financiamentos imobiliários.
- Impacto indireto: Encarecimento de investimentos em novos projetos.
- Impacto global na cadeia produtiva da construção
Impacto direto:
- Financiamento mais caro e menor acesso ao crédito para construtoras e consumidores.
- Aumento no custo dos empréstimos impactará projetos imobiliários e de infraestrutura.
Impacto indireto:
- Redução da demanda no mercado imobiliário.
- Necessidade de buscar alternativas, como PPPs (Parcerias Público-Privadas) e financiamentos privados.
- Que tendências você prevê para o mercado imobiliário em 2025, considerando o cenário macroeconômico atual?
O mercado imobiliário encontra-se aquecido e com boas obras em curso. Em Goiânia, por exemplo, vem se destacando as obras de alto padrão. Em linhas gerais o setor precisa avançar em inovação tecnológica e sustentabilidade para serem mais competitivos e viáveis. Destaca-se, segundo alguns especialistas, soluções como construção modular e habitações compactas, que reduzem custos e prazos, podem ganhar destaque.
E uma outra vertente a valorização de imóveis em áreas urbanas densas pode ser compensada por imóveis periféricos mais acessíveis com boa infraestrutura de acesso e fatores essenciais para morar (escola, supermercado, saúde, lazer, etc.).
Dados adicionais: A Sondagem da Indústria da Construção aponta que 36% das empresas têm planos de investir em inovação e modernização para mitigar custos e aumentar a competitividade.
- Quais são as perspectivas de variação nos preços de insumos e materiais de construção?
A estabilização da inflação em torno de 4,12% prevista para 2025 sugere um aumento controlado nos preços dos materiais de construção. Contudo, fatores externos, como variação cambial e custos de importação, ainda poderão trazer volatilidade para insumos como aço e cimento.
Dados adicionais:
- O crédito imobiliário caiu 4,2% em 2024, de acordo com a ABECIP.
- 52% das empresas entrevistadas pela CNI esperam estagnação na demanda residencial em 2025.
- Fonte: ABECIP - Relatório de Crédito Imobiliário, 2024 e CNI - Sondagem da Indústria da Construção, 2024.
5) Como o mercado de trabalho do setor da construção civil deve ser impactado em 2025?
Apesar das incertezas, em especial pelo crédito imobiliário e os custos de produção, o setor continuará como um dos principais empregadores da economia. A demanda por mão de obra especializada em tecnologias emergentes e práticas sustentáveis pode criar oportunidades. Projetos de infraestrutura pública, caso intensificados, também terão potencial de absorver trabalhadores.
As obras residenciais (construção de prédios, casas e condomínios) permaneceram aquecidas, cabendo destaque para a implementação de MEIs (micros empresários individuais) para realização de obras de reformas e circulação de riquezas oriundas dos segmentos.
Contudo, a falta de mão de obra e mão de obra qualificada se apresentará como um gargalo a ser resolvido.
- Qual deve ser o comportamento dos consumidores de imóveis em 2025, considerando a situação econômica?
Os consumidores devem adotar uma postura mais conservadora em relação à aquisição de imóveis, priorizando imóveis com condições de financiamento mais acessíveis ou de maior valor agregado, como eficiência energética ou localização estratégica. O financiamento habitacional pode ser afetado pela alta das taxas de juros e consequente restrição creditícia. Porém, a inovação operacional e logística, bem como o melhor controle sobre as obras poderão ser os diferenciais para bons negócios.

