Referência nacional em gestão de pessoas no mercado imobiliário, Mariana Naue é uma daquelas profissionais que transformam realidades. Fundadora da primeira consultoria do Brasil especializada no setor, ela oferece soluções 360° em gestão de pessoas e negócios para construtoras, incorporadoras, imobiliárias e loteadoras, consolidando uma trajetória marcada por inovação e resultados.
Sócia-Diretora da HAUT Imóveis, Mariana Naue acumula mais de 150 empresas atendidas em todo o país e é criadora de um método próprio que já impactou a carreira de mais de mil líderes do mercado imobiliário. Psicóloga com MBA em Gestão de Pessoas e Mestrado em Coaching Pessoal e Desenvolvimento Organizacional, soma ainda certificações em Professional Executive Coaching, Eneagrama e Eneacoaching, e é especialista nas metodologias 9BOX e Serious Lego Play.
Nesta entrevista, Mariana Naue compartilha sua visão sobre as falhas de comunicação mais comuns entre equipes de obra e o escritório, o papel das lideranças na construção de bons fluxos de informação e os ganhos práticos que uma boa comunicação interna traz para o andamento das obras.
Em que momento a comunicação se torna um fator determinante para o sucesso de um projeto de construção?
No mercado imobiliário, a comunicação se torna determinante a partir do início do planejamento entre áreas. É nesse momento que projeto, planejamento, compras, financeiro, marketing e canteiro precisam funcionar de forma integrada. Quando a comunicação falha, pequenas decisões mal alinhadas geram atrasos, retrabalho e aumento de custos que se acumulam ao longo do empreendimento.
Quais são as falhas de comunicação mais comuns entre equipes de obra e o escritório?
As falhas mais comuns são a falta de alinhamento entre o que é decidido no escritório e o que é executado na obra, além da demora na troca de informações críticas. Muitas vezes a obra enfrenta problemas que não chegam ao escritório no tempo certo, ou chegam sem contexto. Também é comum a ausência de registros formais, o que gera ruídos e diferentes interpretações sobre prazos, escopo e prioridades. Isso gera distanciamento dos dois “mundos” o que atrapalha a entrega como um todo.
Como essas falhas costumam impactar prazos, custos e qualidade das entregas?
No mercado imobiliário, qualquer falha de comunicação tem impacto direto no cronograma físico financeiro. Atrasos surgem por retrabalhos e ajustes tardios, os custos aumentam com desperdícios e compras emergenciais, e a qualidade das entregas cai quando as equipes executam sem total clareza dos padrões e das decisões mais recentes. No fim, o empreendimento perde previsibilidade e margem.
Que papel têm as lideranças na construção de bons fluxos de informação?
As lideranças têm um papel decisivo. Toda a cascata de líderes envolvidos no processo, desde Engenheiros, gestores de áreas, gestores de obra e diretores precisam assumir a responsabilidade de organizar o fluxo de informação entre escritório e campo. Quando a liderança não direciona a comunicação, o time trabalha de forma reativa. Bons líderes no mercado imobiliário garantem alinhamento constante, escuta ativa e clareza sobre decisões e prioridades através de rituais bem feitos.
Quais ganhos práticos uma boa comunicação interna traz para o andamento das obras?
Uma boa comunicação interna traz mais engajamento, compromisso das pessoas, controle do cronograma, redução de retrabalho, decisões mais rápidas e melhor integração entre áreas. As equipes se tornam mais responsáveis, os conflitos diminuem e a obra passa a operar com mais previsibilidade e qualidade constante, algo essencial para a saúde financeira dos empreendimentos imobiliários.
Que mudanças simples as empresas poderiam implementar hoje para melhorar o fluxo interno de informação?
Empresas do mercado imobiliário podem começar com ajustes simples, como reuniões periódicas de alinhamento entre obra e escritório, registros claros das decisões tomadas, padronização de relatórios de obra e definição de canais oficiais para cada tipo de informação. Essas ações aumentam a clareza e reduzem ruídos rapidamente.
Que conselho você daria para gestores e engenheiros que ainda veem a comunicação como algo secundário?
Meu conselho é olhar para a comunicação como uma ferramenta estratégica de gestão. No mercado imobiliário, onde os projetos são complexos e os investimentos são altos, a comunicação não é acessória. Ela sustenta o cumprimento de prazos, o controle de custos e a qualidade final do produto. Tratar a comunicação com seriedade é proteger o resultado do empreendimento, através e com as pessoas, nosso principal ativo.

