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Marcos Túlio Campos Cândido, COO da EBM Desenvolvimento Imobiliário, sorrindo em foto de perfil com blazer azul-marinho em ambiente sofisticado.

OPINIÃO - Reposicionamento de Portfólio

10 June 2026
  • OPINIÃO

Por Marcos Túlio Campos Cândido

O mercado imobiliário brasileiro inicia em 2026 sob uma dinâmica mais seletiva e exigente. Após um ciclo de expansão relevante, o setor passa por um momento de maior disciplina, em que decisões estratégicas, especialmente relacionadas ao portfólio, tornam-se determinantes para a geração de valor e entrega de bons resultados.

Nesse contexto, o reposicionamento de portfólio deixa de ser uma ação tática e passa a ocupar o centro da estratégia das incorporadoras.

Um mercado mais cauteloso

O cenário atual é fortemente influenciado pela manutenção da taxa básica de juros em patamares elevados. A Taxa Selic impacta diretamente o poder de compra, especialmente do público que depende de financiamento imobiliário, com maior efeito sobre a classe média.

Como consequência, produtos com tickets intermediários, na faixa de R$ 500 mil a R$ 2 milhões, apresentam maior dificuldade de absorção.

Além disso, observa-se em algumas praças, um movimento de aumento de estoque, com lançamentos superando vendas em determinados períodos, somado a um volume relevante de entregas. Característica presente no mercado goianiense, por exemplo. Esse conjunto de fatores contribui para um ambiente de maior cautela.

Por outro lado, há segmentos que seguem com desempenho robusto. O programa Minha Casa Minha Vida, impulsionado pelo aumento dos tetos de financiamento, que ampliaram o alcance das faixas 3 e 4, tem sustentado níveis elevados de demanda e liquidez.

Liquidez como prioridade

O conceito de liquidez, no cenário atual, está diretamente ligado à aderência do produto ao consumidor.

No segmento econômico, o principal fator é claro: caber no bolso. Isso exige equilíbrio entre preço, funcionalidade e atributos essenciais, como áreas de lazer bem dimensionadas (academias, piscinas e espaços gourmet) sem comprometer o custo final.

A localização permanece como um fator transversal e decisivo em todos os segmentos. Outro fator importante é a segurança.

Já no médio e alto padrão, também se observa uma valorização crescente da experiência. Elementos ligados ao bem-estar, como espaços de wellness, áreas de recuperação, academias mais completas e soluções que promovam qualidade de vida, ganham protagonismo.

Além disso, a integração com o estilo de vida contemporâneo se reflete em demandas por tecnologia e automação, como fechaduras digitais e soluções de conectividade.

Mudança no perfil do comprador

O comportamento do comprador também reflete o momento do mercado.

No segmento econômico, a demanda permanece sustentada pela necessidade habitacional, com pouca alteração de perfil (desde que o produto seja financeiramente acessível).

No médio padrão, o consumidor se mostra mais cauteloso, avaliando com maior rigor sua capacidade de comprometimento financeiro.

Já no alto padrão, o movimento é de maior exigência. Em um ambiente com maior oferta, o cliente passa a selecionar com mais critério, valorizando diferenciais de produto, localização e, principalmente, a credibilidade da incorporadora.

Nesse contexto, marcas consolidadas ganham ainda mais relevância como fator de decisão.

Controle de lançamentos e gestão ativa do portfólio

O controle de lançamentos se consolidou como uma das principais alavancas estratégicas do setor.

Na EBM Incorporações, esse equilíbrio é viabilizado pela diversificação do portfólio e pela gestão ativa do landbank e percentual de estoque em cada segmento (diretamente ligado a velocidade de venda e absorção), que contempla desde empreendimentos econômicos até produtos de alto padrão.

Para 2026, houve uma decisão estratégica clara de concentração de lançamentos no segmento econômico, especialmente no Minha Casa Minha Vida, em função do momento favorável desse mercado e segmentos de médio e alto padrão que oferecem grande liquidez, como por exemplo, empreendimentos voltados para investidores.

Ao mesmo tempo, mantemos flexibilidade para atuar em médio e alto padrão voltados para o consumidor final, priorizando projetos com características diferenciadas, maior liquidez potencial e forte aderência ao mercado.

Essa capacidade de adaptação é sustentada por três pilares: Leitura constante de mercado (micro e macro); Análise das capacidades e diferenciais internos; Entendimento profundo do cliente.

Mais do que produzir, o desafio passa a ser produzir com precisão.

Oportunidades em um cenário seletivo

Mesmo em um ambiente mais cauteloso, as oportunidades permanecem — especialmente para empresas com atuação diversificada.

O segmento econômico tende a seguir como principal vetor de crescimento em 2026, impulsionado por demanda estrutural e políticas de incentivo.

Além disso, nichos específicos, como produtos compactos voltados a investidores em praças como Goiânia, continuam apresentando boa performance.

Outro fator relevante é a possibilidade de aquisição de terrenos em condições mais atrativas, em função da seletividade atual do mercado.

Perspectivas para 2026

A expectativa para o ano é de comportamentos distintos entre segmentos.

O Minha Casa Minha Vida pode registrar um dos melhores desempenhos da última década, liderando o volume de vendas do setor.

O médio padrão tende a apresentar maior estabilidade, com possível estagnação até que haja redução mais consistente da taxa de juros.

Já o alto padrão, embora mais volátil, mantém níveis de liquidez em projetos bem posicionados, especialmente aqueles com proposta autoral e identidade clara.

Nesse segmento, o imóvel continua sendo percebido como um ativo sólido, tanto para moradia quanto para investimento.

Resumidamente, enxergo o ano de 2026 consolidando uma nova fase para o mercado imobiliário, marcada por maior maturidade e seletividade.

O reposicionamento de portfólio, nesse contexto, é uma competência estratégica essencial.

As incorporadoras que conseguirem alinhar leitura de mercado, disciplina de capital e capacidade de execução estarão mais bem posicionadas para capturar as oportunidades desse novo ciclo, com crescimento mais consistente e sustentável.

* Profissional com mais de 10 anos de experiência no mercado imobiliário, Marcos Túlio Campos Cândido atua como Chief Operating Officer da EBM Desenvolvimento Imobiliário, sendo responsável pela condução de projetos nos segmentos econômico, médio e alto padrão nas praças de Goiás, Brasília e São Paulo. Ao longo de sua trajetória na companhia, construiu carreira da área operacional à diretoria. Marcos Túlio é formado em Engenharia Civil pela Universidade Federal de Goiás (UFG) e possui MBA Executivo pelo Insper.

Instrutora demonstra instalação elétrica para um grupo de cinco alunos em treinamento prático no canteiro de obras, todos com capacetes e EPIs, ao fundo um edifício em construção.

SENAI CANAÃ - Qualificação profissional na construção civil com foco na inclusão social

10 June 2026

A educação profissional tem se consolidado como uma das principais ferramentas de transformação social e desenvolvimento econômico, especialmente em setores estratégicos como a construção civil. Atento a esse cenário e às demandas locais, o SENAI Canaã, sob a liderança da diretora Aliana Calaça, vem ampliando e qualificando suas ações voltadas à formação de mão de obra, com ênfase na inclusão de pessoas em situação de vulnerabilidade social.

As iniciativas são desenvolvidas em atendimento à Secretaria de Estado da Retomada, em consonância com políticas públicas voltadas à geração de emprego, renda e desenvolvimento social. Nesse contexto, a unidade promove não apenas a capacitação técnica e a qualificação profissional, mas também a inserção produtiva de públicos que enfrentam maiores barreiras de acesso ao mundo do trabalho. No âmbito do projeto Secretaria da Retomada, destaca-se que, nos últimos 12 meses, já foram qualificados quase 2 mil profissionais para a cadeia produtiva, por meio das modalidades presencial e EAD (Educação a Distância).

De forma estruturada, o SENAI Canaã oferta um portfólio diversificado de cursos na área da construção civil, contemplando desde a iniciação profissional até a formação técnica, como: Mestre de Obras, Eletricista de Instalações Prediais, Pedreiro de Alvenaria, Instalador Hidráulico, Pintor de Obras Imobiliárias, Aplicador de Revestimento Cerâmico, Montador de Sistemas de Construção a Seco, Técnico em Edificações, entre outros. Além dos cursos mencionados, um dos grandes diferenciais do SENAI Canaã é a oferta de atendimentos customizados, desenvolvidos de acordo com as demandas específicas das empresas, garantindo soluções educacionais alinhadas às reais necessidades do setor produtivo. As formações são alinhadas às demandas do setor produtivo, garantindo que os alunos estejam preparados para atuar com competência, segurança e qualidade.

Como resultado dessa atuação, já foram concluídas mais de 45 turmas em atendimento à Secretaria da Retomada, com aproximadamente 2 mil alunos qualificados. Atualmente, o SENAI conta com oito turmas em andamento, somando 180 alunos matriculados, oriundos da comunidade, da Secretaria Municipal de Políticas para as Mulheres, Assistência Social e Direitos Humanos, por meio dos CREAS, e das Prefeituras Municipais de Anápolis, Aruanã, Itumbiara, Quirinópolis e Luziânia, por intermédio das respectivas Secretarias Municipais de Assistência Social. Além disso, estão previstas mais três turmas por meio do Projeto Resgatar, nos presídios de Inhumas, Ituaçu e Nova Crixás, com 75 alunos matriculados, ampliando significativamente o alcance social da iniciativa.

Além da formação técnica, os programas contemplam o desenvolvimento de competências socioemocionais, fundamentais para a permanência e o crescimento no ambiente profissional, contribuindo para a formação integral dos participantes.

Com o objetivo de potencializar resultados e ampliar o impacto social, o SENAI Canaã atua por meio de parcerias estratégicas. Entre elas, destaca-se o Projeto Resgatar, iniciativa de ressocialização do Tribunal de Justiça do Estado de Goiás (TJGO), em parceria com a Polícia Penal, o SENAI e o Ministério Público do Trabalho (MPT), voltada à qualificação profissional de pessoas privadas de liberdade e egressos do sistema prisional. O projeto tem como meta capacitar cerca de 2 mil pessoas, contribuindo para a reinserção no mundo do trabalho e a redução da reincidência criminal, com atuação em diversas unidades prisionais. Nesse contexto, o SENAI Goiás é responsável pela formação técnica, preparando os participantes para o emprego formal ou para o empreendedorismo.

Outra parceria relevante é com a Prefeitura de Goiânia, por meio da Secretaria Municipal de Políticas para as Mulheres, Assistência Social e Direitos Humanos, que atua na promoção da igualdade de gênero, no enfrentamento à violência doméstica e na oferta de suporte integral aos atendidos. A atuação conjunta da referida Secretaria, com os Centros de Referência Especializados de Assistência Social (CREAS) e com empresas do setor da construção civil possibilita a identificação e o encaminhamento de pessoas em situação de vulnerabilidade, além de aproximar os alunos de oportunidades reais de emprego, fortalecendo a conexão entre qualificação e empregabilidade.

Destaca-se ainda o Projeto PROSSIGA, iniciativa do SENAI em parceria com os sindicatos patronais vinculados à Federação das Indústrias do Estado de Goiás (FIEG), que tem como objetivo elevar a competitividade do setor produtivo goiano, ao mesmo tempo em que amplia o acesso à capacitação profissional. O projeto contempla vagas destinadas aos sindicatos da base da FIEG, incluindo o atendimento a sindicatos da construção civil, reforçando o compromisso do SENAI Canaã com o fortalecimento do setor.

De acordo com a diretora Aliana Calaça, iniciativas como essas reforçam o compromisso institucional do SENAI com o desenvolvimento social. “Nosso objetivo é proporcionar oportunidades reais de transformação de vida por meio da educação profissional. Ao qualificar pessoas e conectá-las ao mundo do trabalho, contribuímos não apenas com o crescimento da indústria, mas também com a construção de uma sociedade mais justa e inclusiva”, destaca.

Com uma atuação integrada e orientada por resultados, o SENAI Canaã reafirma seu papel como agente de desenvolvimento, promovendo educação de qualidade, fortalecendo a indústria da construção civil e contribuindo de forma efetiva para a inclusão social e a geração de oportunidades.

Rafael Ponchio, Gerente de Engenharia da Flamboyant Urbanismo, em foto de perfil com camisa social branca e parede de jardim vertical ao fundo.

GESTÃO - Planejamento de obra define resultado financeiro

10 June 2026
  • GESTÃO

Em um mercado cada vez mais pressionado por custos, prazos e escassez de mão de obra, eficiência deixou de ser diferencial competitivo tornou-se condição de sobrevivência. Nesse cenário, o que separa obras comuns de operações de alta performance é a forma como o planejamento é conduzido.

É com essa visão que Rafael Ponchio, Gerente de Engenharia da Flamboyant Urbanismo, vem consolidando sua atuação à frente do Legítimo e Autêntico Flamboyant Residencial, empreendimentos que já se tornaram referências em Goiânia pela sua organização, velocidade e consistência financeira.

Mais do que entregar uma obra, o trabalho conduzido nos projetos evidencia um posicionamento claro: resultado não se busca no final, se constrói desde o início.

“Obra não perde margem no fim. Ela perde margem todos os dias, quando não existe planejamento para tomada de decisões.”, afirmou Rafael Ponchio.

Planejamento como ferramenta de resultado

No modelo adotado, o planejamento não é tratado como uma etapa formal, ele é o principal instrumento de controle da obra.

A estruturação de um macro fluxo de atividades define, com precisão, a sequência construtiva, eliminando interferências, retrabalhos e perdas financeiras.

“Quando você erra a sequência, você paga por isso mais de uma vez em prazo, em custo e em desgaste operacional.”, destacou o gerente.

Mais do que bem elaborado, o planejamento é constantemente revisitado.

“Planejamento que não é revisado vira registro histórico, não ferramenta de gestão”, reforçou Rafael Ponchio.

Produtividade com critério e comparação

A produtividade, dentro desse modelo, deixa de ser percepção e passa a ser gestão ativa.

Com base em ciclos produtivos e análise comparativa, a obra opera com múltiplos cenários (planos A, B e C), garantindo flexibilidade sem perda de controle.

A estratégia aplicada à carpintaria com três empresas atuando simultaneamente exemplifica essa abordagem.

“Não é sobre ter mais equipes, é sobre criar referência de desempenho. Quando você mede, você evolui. Quando você compara, você acelera”, afirmou.

Logística como motor da eficiência

Um dos pilares do desempenho do Legítimo e Autêntico Flamboyant Residencial está na antecipação logística.

Antes mesmo do início das obras, foram definidos fluxos de materiais, posicionamento de insumos, áreas de ataque e distribuição de equipes.

“Não existe produtividade sustentável sem logística estruturada. O canteiro precisa trabalhar a favor da equipe, não contra ela”, explicou Rafael Ponchio.

A liberação planejada de frentes de serviço tem gerado um efeito direto na performance dos empreiteiros.

“Muitas vezes, eficiência não está em pagar mais caro está em permitir produzir mais.”, pontuou.

Clareza contratual como base operacional

Em um cenário de escassez de mão de obra, a gestão contratual ganha ainda mais relevância.

Na prática, isso se traduz em contratos objetivos, critérios claros e responsabilidades bem definidas.

“Ambiguidade gera conflito. Clareza gera produtividade.”, resumiu o Gerente de Engenharia.

Essa abordagem fortalece a relação com os parceiros e cria um ambiente mais estável e previsível no canteiro.

Disciplina financeira como estratégia

Para Rafael Ponchio, controle financeiro não é consequência é estratégia. “Recurso financeiro é finito. O erro não está em gastar, está em gastar sem planejamento.”, afirmou. 

Com alinhamento entre execução e desembolso, a obra mantém equilíbrio de caixa e evita oscilações desnecessárias.

Engenharia como sistema integrado

Outro ponto central do modelo é a integração entre áreas, segundo Rafael “obra não se gerencia por setores isolados. Ou todos trabalham conectados, ou o resultado não sustenta.”

A atuação conjunta entre engenharia, suprimentos, jurídico, financeiro e projetos tem sido determinante para a consistência dos resultados.

Um modelo que gera referência

Os resultados alcançados no Legítimo e Autêntico Flamboyant Residencial já ultrapassam os próprios empreendimentos. Antecipações de cronograma, previsibilidade financeira e organização operacional transformaram o canteiro em ponto de visita para empresas da região.

Sem depender de soluções complexas, mas com forte disciplina de gestão, o projeto vem contribuindo para elevar o padrão da construção civil em Goiânia.

“Eficiência não é fazer mais rápido. É fazer certo, com previsibilidade e consistência. Quando isso acontece, o resultado financeiro vem como consequência”, concluiu Rafael Ponchio.

Romeu Neiva, engenheiro civil e CEO da Coordly, em foto de perfil com camiseta preta e óculos de armação redonda.

CONSTRUÇÃO 4.0 - Como a tecnologia está redesenhando o canteiro de obras

10 June 2026
  • CONSTRUÇÃO 4.0

Por Romeu Neiva

Em minha trajetória como engenheiro, acompanhei de perto uma transformação que muitos ainda subestimam: a tecnologia deixou de ser um diferencial reservado às grandes construtoras e passou a ser uma necessidade competitiva ao alcance de qualquer empresa que queira se manter relevante. Essa mudança está acontecendo agora, em Goiás, e o setor que não se mover ficará para trás.

Os números confirmam o que o mercado já sente. Segundo levantamento do FGV IBRE em parceria com o Sebrae e o Google, o uso de inteligência artificial avança de forma acelerada entre as empresas brasileiras — e a tendência é de crescimento exponencial. No plano macroeconômico, o Brasil já lidera o mercado de IA na América Latina: segundo a IDC, o país deve movimentar US$ 4,2 bilhões em gastos com IA em 2026, respondendo por 41,7% de todo o mercado regional. A projeção é de crescimento de 3,8 vezes até 2029. Não se trata de tendência futura: é uma corrida que já começou.

Na construção civil especificamente, esse movimento tem nome e endereço. O BIM — Building Information Modeling — é hoje o principal vetor de inovação e transformação do setor. Trata-se de digitalizar as informações da construção: modelos tridimensionais, gestão documental centralizada, compatibilização de projetos, integração entre todas as equipes envolvidas, do arquiteto ao instalador elétrico. O resultado prático é a resolução antecipada de problemas que, até então, só eram descobertos dentro da obra — quando o custo de correção já é exponencialmente maior.

O impacto disso não é pequeno. Pesquisas do McKinsey Global Institute mostram que a construção civil global avançou apenas 1% ao ano em produtividade nas últimas duas décadas — e o Brasil não é exceção. O mesmo estudo, ao analisar 100 grandes projetos brasileiros, constatou que 80% apresentaram aumento de custo e atraso médio de quase 20 meses no cronograma. São números que revelam uma indústria estruturalmente ineficiente — e que, por isso mesmo, tem potencial enorme de ganho com a adoção de metodologias e ferramentas adequadas.

A boa notícia é que as barreiras de entrada nunca foram tão baixas. Se há alguns anos a implementação dessas metodologias exigia investimento significativo em infraestrutura e profissionais especializados, hoje plataformas desenvolvidas aqui no Brasil — inclusive em Goiânia — tornam esse processo acessível para incorporadoras e construtoras de diferentes portes. A automação de tarefas que antes consumiam horas de trabalho manual agora acontece em minutos, com rastreabilidade e integração entre equipes.

E o espaço para crescer é enorme. Segundo levantamento do Sienge, apenas 16% das empresas brasileiras de construção utilizam BIM, e somente 12% fazem uso de inteligência artificial nos canteiros. Isso significa que o setor ainda opera majoritariamente com métodos tradicionais — num cenário em que a tecnologia já está disponível, acessível e com retorno demonstrável.

Goiás tem tudo para liderar essa virada. O mercado imobiliário local é o terceiro maior do Brasil — pelo terceiro ano consecutivo, atrás apenas de São Paulo e Rio de Janeiro, segundo a Ademi-GO e a Brain Inteligência Estratégica. Em 2024, foram comercializados R$ 7,7 bilhões em apartamentos na capital, crescimento de 35% sobre o ano anterior. No primeiro trimestre de 2025, as vendas cresceram mais 47%. O número de canteiros verticais ativos em Goiânia saltou de 162 em dezembro de 2024 para 176 em março de 2025. E em 2025, foram lançadas 11.028 novas unidades em Goiânia e Aparecida de Goiânia — obras que estão começando agora. É um mercado em expansão acelerada que precisa, com urgência, de ferramentas à altura do seu ritmo.

O desafio, como costumo dizer, não está mais na tecnologia em si. Está em traduzir a ferramenta em resultado. Isso exige qualificação contínua da cadeia produtiva — das equipes internas aos parceiros e clientes. A tecnologia acelera processos, mas o aperfeiçoamento metodológico pede consistência e tempo. Empresas que entenderam isso primeiro estão colhendo vantagem competitiva real hoje.

A Construção 4.0 não é uma promessa distante. Ela está redesenhando silenciosamente canteiros de obras em Goiânia, e o momento de embarcar nessa transformação é agora.

* Romeu Neiva é engenheiro civil, mestre em Arquitetura e Construção, CEO da Coordly (coordly.co) e cofundador da DIM Inteligência em Projetos (dimip.com.br).

Fontes:

  • FGV IBRE / Sebrae / Google — Uso de IA nos Negócios no Brasil: blogdoibre.fgv.br/posts/uso-de-ia-nos-negocios-no-brasil-0
  • IDC — Brasil lidera IA na América Latina, 2026: telesintese.com.br/brasil-lidera-mercado-de-ia-na-america-latina-aponta-idc
  • IDC — Investimentos corporativos em IA no Brasil, 2026: mobiletime.com.br/noticias/10/02/2026/agente-ia-idc-2026
  • McKinsey / CBIC — Produtividade na construção civil brasileira: abcic.org.br/Noticia/Exibir/estudo-mostra-que-crescimento-na-construcao-civil-depende-de-mais-produtividade-e-recurso-a-tecnologia
  • Sienge — Adoção de BIM e IA na construção civil, 2025: sienge.com.br/blog/produtividade-na-construcao-civil
  • Ademi-GO / Brain — Goiânia, 3º maior mercado imobiliário do Brasil: ademigo.com.br/blog/com-crescimento-de-35-nas-vendas-em-2024-goiania-se-consolida-como-3-maior-mercado-imobiliario-do-pais
  • Ademi-GO — Canteiros verticais: de 162 (dez/2024) para 176 (mar/2025): portalradarimobiliario.com.br/noticia/6951/aumento-de-migrantes-e-crescimento-demografico-impulsionam-mercado-imobiliario-goiano
  • Ademi-GO / CBIC — 11.028 unidades lançadas em 2025: cbic.org.br/construcao-civil-mantem-ritmo-acelerado-de-obras-em-goias-e-precisa-de-profissionais
  • Ademi-GO / Brain — Crescimento de 47% nas vendas no 1T 2025: portalradarimobiliario.com.br/noticia/6578/venda-de-imoveis-em-goiania-cresce-47-no-primeiro-trimestre-de-2025
Dois profissionais da construção civil com capacetes de segurança e EPIs se cumprimentam em um canteiro de obras. O da esquerda veste uniforme verde do Seconci Goiás.

SECONCI GOIÁS - Nova NR-01 e o desafio de gerir riscos psicossociais nas empresas

10 June 2026
  • SECONCI GOIÁS

Os riscos psicossociais no ambiente de trabalho ganham um novo e importante capítulo com a atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-01), que entra em vigor em maio de 2026. A partir dessa mudança, passa a ser obrigatória a inclusão dos fatores de riscos psicossociais no Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR), ampliando o olhar das empresas sobre a segurança e o bem-estar dos trabalhadores.

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