Romeu Neiva, engenheiro civil e CEO da Coordly, em foto de perfil com camiseta preta e óculos de armação redonda.

Por Romeu Neiva

Em minha trajetória como engenheiro, acompanhei de perto uma transformação que muitos ainda subestimam: a tecnologia deixou de ser um diferencial reservado às grandes construtoras e passou a ser uma necessidade competitiva ao alcance de qualquer empresa que queira se manter relevante. Essa mudança está acontecendo agora, em Goiás, e o setor que não se mover ficará para trás.

Os números confirmam o que o mercado já sente. Segundo levantamento do FGV IBRE em parceria com o Sebrae e o Google, o uso de inteligência artificial avança de forma acelerada entre as empresas brasileiras — e a tendência é de crescimento exponencial. No plano macroeconômico, o Brasil já lidera o mercado de IA na América Latina: segundo a IDC, o país deve movimentar US$ 4,2 bilhões em gastos com IA em 2026, respondendo por 41,7% de todo o mercado regional. A projeção é de crescimento de 3,8 vezes até 2029. Não se trata de tendência futura: é uma corrida que já começou.

Na construção civil especificamente, esse movimento tem nome e endereço. O BIM — Building Information Modeling — é hoje o principal vetor de inovação e transformação do setor. Trata-se de digitalizar as informações da construção: modelos tridimensionais, gestão documental centralizada, compatibilização de projetos, integração entre todas as equipes envolvidas, do arquiteto ao instalador elétrico. O resultado prático é a resolução antecipada de problemas que, até então, só eram descobertos dentro da obra — quando o custo de correção já é exponencialmente maior.

O impacto disso não é pequeno. Pesquisas do McKinsey Global Institute mostram que a construção civil global avançou apenas 1% ao ano em produtividade nas últimas duas décadas — e o Brasil não é exceção. O mesmo estudo, ao analisar 100 grandes projetos brasileiros, constatou que 80% apresentaram aumento de custo e atraso médio de quase 20 meses no cronograma. São números que revelam uma indústria estruturalmente ineficiente — e que, por isso mesmo, tem potencial enorme de ganho com a adoção de metodologias e ferramentas adequadas.

A boa notícia é que as barreiras de entrada nunca foram tão baixas. Se há alguns anos a implementação dessas metodologias exigia investimento significativo em infraestrutura e profissionais especializados, hoje plataformas desenvolvidas aqui no Brasil — inclusive em Goiânia — tornam esse processo acessível para incorporadoras e construtoras de diferentes portes. A automação de tarefas que antes consumiam horas de trabalho manual agora acontece em minutos, com rastreabilidade e integração entre equipes.

E o espaço para crescer é enorme. Segundo levantamento do Sienge, apenas 16% das empresas brasileiras de construção utilizam BIM, e somente 12% fazem uso de inteligência artificial nos canteiros. Isso significa que o setor ainda opera majoritariamente com métodos tradicionais — num cenário em que a tecnologia já está disponível, acessível e com retorno demonstrável.

Goiás tem tudo para liderar essa virada. O mercado imobiliário local é o terceiro maior do Brasil — pelo terceiro ano consecutivo, atrás apenas de São Paulo e Rio de Janeiro, segundo a Ademi-GO e a Brain Inteligência Estratégica. Em 2024, foram comercializados R$ 7,7 bilhões em apartamentos na capital, crescimento de 35% sobre o ano anterior. No primeiro trimestre de 2025, as vendas cresceram mais 47%. O número de canteiros verticais ativos em Goiânia saltou de 162 em dezembro de 2024 para 176 em março de 2025. E em 2025, foram lançadas 11.028 novas unidades em Goiânia e Aparecida de Goiânia — obras que estão começando agora. É um mercado em expansão acelerada que precisa, com urgência, de ferramentas à altura do seu ritmo.

O desafio, como costumo dizer, não está mais na tecnologia em si. Está em traduzir a ferramenta em resultado. Isso exige qualificação contínua da cadeia produtiva — das equipes internas aos parceiros e clientes. A tecnologia acelera processos, mas o aperfeiçoamento metodológico pede consistência e tempo. Empresas que entenderam isso primeiro estão colhendo vantagem competitiva real hoje.

A Construção 4.0 não é uma promessa distante. Ela está redesenhando silenciosamente canteiros de obras em Goiânia, e o momento de embarcar nessa transformação é agora.

* Romeu Neiva é engenheiro civil, mestre em Arquitetura e Construção, CEO da Coordly (coordly.co) e cofundador da DIM Inteligência em Projetos (dimip.com.br).

Fontes:

  • FGV IBRE / Sebrae / Google — Uso de IA nos Negócios no Brasil: blogdoibre.fgv.br/posts/uso-de-ia-nos-negocios-no-brasil-0
  • IDC — Brasil lidera IA na América Latina, 2026: telesintese.com.br/brasil-lidera-mercado-de-ia-na-america-latina-aponta-idc
  • IDC — Investimentos corporativos em IA no Brasil, 2026: mobiletime.com.br/noticias/10/02/2026/agente-ia-idc-2026
  • McKinsey / CBIC — Produtividade na construção civil brasileira: abcic.org.br/Noticia/Exibir/estudo-mostra-que-crescimento-na-construcao-civil-depende-de-mais-produtividade-e-recurso-a-tecnologia
  • Sienge — Adoção de BIM e IA na construção civil, 2025: sienge.com.br/blog/produtividade-na-construcao-civil
  • Ademi-GO / Brain — Goiânia, 3º maior mercado imobiliário do Brasil: ademigo.com.br/blog/com-crescimento-de-35-nas-vendas-em-2024-goiania-se-consolida-como-3-maior-mercado-imobiliario-do-pais
  • Ademi-GO — Canteiros verticais: de 162 (dez/2024) para 176 (mar/2025): portalradarimobiliario.com.br/noticia/6951/aumento-de-migrantes-e-crescimento-demografico-impulsionam-mercado-imobiliario-goiano
  • Ademi-GO / CBIC — 11.028 unidades lançadas em 2025: cbic.org.br/construcao-civil-mantem-ritmo-acelerado-de-obras-em-goias-e-precisa-de-profissionais
  • Ademi-GO / Brain — Crescimento de 47% nas vendas no 1T 2025: portalradarimobiliario.com.br/noticia/6578/venda-de-imoveis-em-goiania-cresce-47-no-primeiro-trimestre-de-2025
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