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Camila Storti, CEO da Abissal Capitalismo Saudável, em foto de perfil com blusa branca e logo da empresa ao fundo.

O mercado imobiliário brasileiro vive uma transformação estrutural. A sustentabilidade deixou de ser um diferencial de marketing para se tornar uma exigência de acesso a crédito, condições financeiras privilegiadas e competitividade comercial. Bancos privados, fundos de investimento e compradores finais passaram a exigir métricas claras de eficiência ambiental e social dos empreendimentos.

Para entender como incorporadoras e construtoras podem navegar esse novo cenário, a Revista Sinduscon entrevistou Camila Storti, Administradora de Empresas com especialização em Direito Ambiental e Desenvolvimento Sustentável, CEO da Abissal Capitalismo Saudável — consultoria que em 2026 completa 20 anos de atuação ajudando empresas de diversos setores a implementar estratégias de certificação em sustentabilidade e ESG. Embora atue com indústrias variadas, Camila tem acompanhado de perto a jornada de grandes incorporadoras goianas em direção às certificações B Corp, LEED, GBC Brasil e EDGE.

- Você acompanha o mercado imobiliário há duas décadas. Como o ESG deixou de ser um "plus" para se tornar uma exigência de mercado e financeira?

A mudança é estrutural e veio para ficar. Há 20 anos, quando fundei a Abissal, sustentabilidade em construção era restrita a pouquíssimas (e visionárias) empresas do setor, em sua maioria, as empresas reduziam estes conceitos a questões de cumprimento legal ambiental. Hoje, o conceito se sofisticou e se integrou à engenharia financeira dos empreendimentos. O mercado de capitais e o sistema bancário brasileiro, pressionados por regulações internacionais e pela agenda climática, passaram a exigir métricas objetivas de desempenho ambiental e social para, inclusive, conceder crédito.

Esse movimento é impulsionado por três forças simultâneas: a regulamentação do Banco Central do Brasil sobre riscos climáticos (Resolução BCB nº 140/2021 e posteriores), as exigências de taxonomia de finanças sustentáveis da Febraban [Febraban, 2025] e, principalmente, o apetite do consumidor final. O comprador de imóvel de alto padrão — e cada vez mais o de médio padrão — busca edificações que ofereçam eficiência operacional, redução de custos condominiais e menor impacto ambiental. Esse tripé transformou a sustentabilidade de custo de conformidade em vantagem competitiva real.

-  E como as certificações — B Corp, LEED, GBC Brasil, AQUA-HQE e EDGE — se encaixam nesse novo ambiente para construtoras e incorporadoras?

Cada uma dessas certificações oferece um "idioma" diferente para traduzir a sustentabilidade do empreendimento para o mercado. O LEED (Leadership in Energy and Environmental Design) é o selo mais difundido globalmente, avaliando o edifício em categorias como eficiência energética, uso racional da água, materiais sustentáveis e qualidade do ambiente interno [USGBC, 2025]. O GBC Brasil Condomínio é uma adaptação brasileira extremamente robusta, pensada para a nossa realidade construtiva, aplicada a condomínios residenciais verticais ou horizontais [GBC Brasil, 2025].

Já a certificação AQUA-HQE (de origem francesa) é particularmente forte na gestão ambiental da obra, com exigências rigorosas para o canteiro, incluindo planos de gerenciamento de resíduos e controle de emissões [Fundação Vanzolini, 2025]. O EDGE (Excellence in Design for Greater Efficiencies), uma iniciativa da IFC (membro do Grupo Banco Mundial), foca estritamente na redução mínima de 20% no consumo de água, energia e energia embutida nos materiais de construção, com uma plataforma digital ágil e de menor custo de auditoria [IFC/World Bank, 2023; 2025].

Por fim, a Certificação de Empresa B, que acompanhei de perto em diversas construtoras Goianas (como Newinc, FR, Sousa Andrade, por exemplo), é uma certificação que vai além do produto — ela avalia a empresa como um todo: seu propósito, sua governança, suas relações com trabalhadores, comunidade e meio ambiente [B Lab, 2025].

No setor imobiliário, o que temos visto é uma convergência: incorporadoras que buscam o selo B Corp e, simultaneamente, certificam seus empreendimentos com EDGE, LEED ou GBC. Isso gera uma credibilidade dupla — a empresa é íntegra na sua gestão corporativa, e o prédio é comprovadamente eficiente na ponta.

- Um dos principais argumentos contra a adoção de critérios sustentáveis sempre foi o custo. A você pode detalhar a real equação econômica para uma incorporadora ou construtora hoje?

Esse é o mito que mais precisa ser desfeito com dados concretos. Historicamente, atribuía-se um adicional, em média, de 15% no custo de construção para tornar um edifício "verde". Isso não se sustenta mais. De acordo com um levantamento do Green Building Council Brasil [GBC Brasil, 2025], o custo incremental médio para certificar um empreendimento residencial de médio e alto padrão ficou entre 3% e 5% do CAPEX total, podendo ser inferior a 2% em projetos planejados sob conceitos bioclimáticos desde a concepção. No caso do selo EDGE, estudos globais da International Finance Corporation [IFC/World Bank, 2023; 2025] demonstram que o custo incremental médio de construção fica entre 0,5% e 3%, apresentando uma das relações de custo-benefício mais agressivas do mercado internacional para habitação de interesse social e de médio padrão.

A grande virada, no entanto, está no outro lado da equação: o OPEX (custo operacional). Um edifício certificado LEED ou GBC reduz, em média, entre 25% e 35% no consumo de energia elétrica e entre 30% e 40% no consumo de água [CBIC, 2025]. Para o enquadramento no nível básico da certificação EDGE, exige-se uma redução comprovada de no mínimo 20% em energia, água e energia embutida nos materiais [IFC, 2025]. Para um condomínio residencial de médio porte, esse desempenho combinado representa uma economia que pode chegar a R$ 200 mil por ano em taxas condominiais. O retorno do investimento (payback) do custo da certificação e das tecnologias eficientes ocorre em um prazo curto, situado entre 3 e 5 anos [GBC Brasil, 2025; IFC/World Bank, 2023].

- E como isso se traduz em vantagens no financiamento bancário para construtoras?

Aqui está o ponto mais estratégico para o nosso setor. Os bancos privados brasileiros não operam essas linhas de crédito de forma isolada; eles estruturam seus produtos verdes em alinhamento direto com frameworks de organismos multilaterais. Um exemplo disso é a IFC e o Banco Mundial, além de seguir a taxonomia de finanças sustentáveis da Febraban [Febraban, 2025].

A IFC atua globalmente como a principal catalisadora desse mercado, aportando capital de longo prazo e ancorando a emissão de títulos verdes (green bonds) de bancos comerciais, desde que estes utilizem metodologias de comprovação de impacto robustas, como a plataforma EDGE — desenvolvida pela IFC para desriscar carteiras imobiliárias em mercados emergentes [IFC/World Bank, 2023; 2025].

Na prática local, esse respaldo internacional se converte em benefícios palpáveis na ponta para as construtoras goianas. O Itaú BBA [Itaú BBA, 2025] oferece, no seu Plano Empresário Verde, uma redução de spread que pode chegar a 0,7 ponto percentual ao ano para projetos que comprovem a pré-certificação EDGE ou LEED. O Santander Brasil [Santander, 2024] também possui linhas com descontos similares, além da possibilidade de financiar até 90% do valor do imóvel, para adquirentes de unidades em edifícios certificados GBC Condomínio — contra o limite padrão de 80% do mercado tradicional [Banco Central do Brasil, 2023]. O Bradesco [Bradesco, 2025], por sua vez, estabeleceu em seu Framework de Finanças Sustentáveis que empreendimentos com selos de sustentabilidade comprovados podem receber prazos de carência estendidos de 18 para 24 meses na fase de obra.

No fim do dia, a lógica é simples: a IFC e o Banco Mundial garantem o funding e o rigor técnico global, a certificação EDGE ou LEED atesta a elegibilidade do empreendimento, e os bancos privados nacionais reduzem as taxas porque o risco físico e de transição daquele ativo imobiliário é drasticamente menor. Para uma incorporadora financiando R$ 30 milhões em obra, uma redução de apenas 0,5% ao ano na taxa de juros representa uma economia real superior a R$ 1 milhão ao longo de 5 anos.

- Diante desse cenário, qual o passo prático que uma construtora ou incorporadora deve seguir para acessar esses benefícios?

O processo exige planejamento e disciplina, mas é perfeitamente factível. Vou descrever as seis etapas essenciais que orientamos em nossa consultoria na Abissal:

1. Definição do objetivo e escolha da certificação: O primeiro passo é compreender o perfil do empreendimento. Para um residencial de médio padrão que busca rápida validação bancária, a certificação EDGE é a mais indicada pelo baixo custo incremental (0,5% a 3% do CAPEX) e pela agilidade do processo digital [IFC/World Bank, 2023]. Para empreendimentos de alto padrão corporativo, o LEED ou o GBC Brasil Condomínio oferecem maior abrangência de créditos e reconhecimento internacional. Já para empresas que desejam ser avaliadas como um todo — sua governança, impacto social e ambiental — a certificação B Corp é o caminho.

2. Pré-certificação na fase de projeto: A grande virada de chave ocorre aqui. O projeto arquitetônico e os sistemas prediais (climatização, iluminação, hidráulica) precisam ser concebidos desde o início para atender aos requisitos da certificação escolhida. Para o EDGE, a própria plataforma online permite simular os desempenhos e gerar a pré-certificação. Sem essa etapa, não há enquadramento nas linhas de crédito verde dos bancos [GBC Brasil, 2025; IFC, 2025].

3. Documentação e due diligence técnica: O incorporador precisa organizar um dossiê técnico que comprove as especificações sustentáveis: memoriais descritivos, projetos de eficiência energética, especificações de materiais e sistemas. Os bancos — Itaú, Santander, Bradesco — exigem a apresentação da pré-certificação e, em alguns casos, um Parecer de Segunda Opinião (SPO) emitido por auditoria independente, validando o alinhamento às Green Bond Principles [Febraban, 2025; Bradesco, 2025].

4. Negociação com o banco e obtenção do financiamento: Com a documentação em mãos, a incorporadora ou construtora deve procurar a gerência de crédito imobiliário do banco e apresentar o projeto. As condições preferenciais (spread reduzido, carência estendida, LTV elevado) são formalizadas em contrato. É importante lembrar que os descontos podem estar atrelados a compromissos de desempenho — se a certificação final não for alcançada, a taxa pode retroagir aos patamares de mercado [Itaú BBA, 2025].

5. Execução da obra com gestão ambiental do canteiro: A certificação não é apenas sobre o prédio pronto; o canteiro de obras também precisa ser sustentável. Isso envolve: plano de gerenciamento de resíduos (reciclagem mínima de 60% dos resíduos sólidos, conforme meta do GBC Brasil [GBC Brasil, 2025]), controle de poeira e ruído, uso de água reciclada na obra e treinamento da mão de obra em práticas de construção enxuta (lean construction).

6. Auditoria final e obtenção do selo definitivo: Ao término da obra, uma auditoria independente verifica se o que foi projetado foi efetivamente construído. A emissão do selo definitivo é a chave para a liberação integral das condições financeiras e para a valorização do imóvel no mercado secundário.

 - E quanto ao risco de greenwashing? Como evitar que uma certificação seja apenas um selo de fachada?

O greenwashing é o maior risco reputacional e financeiro para qualquer incorporadora hoje. A melhor blindagem contra isso é a terceirização da verificação. Certificações como LEED, GBC, EDGE e AQUA-HQE exigem auditorias independentes e organismos certificadores credenciados. Quando uma construtora busca o selo B Corp, a auditoria é ainda mais profunda, analisando a cadeia de fornecedores, as políticas trabalhistas e a governança [B Lab, 2025].

O conselho que sempre dou aos nossos clientes é: não tente "cortar caminho". Um projeto mal planejado que não atinge os indicadores prometidos gerará retrabalho e, pior, uma exposição negativa que pode comprometer futuras linhas de crédito. O mercado financeiro está cada vez mais sofisticado em detectar inconsistências entre o discurso e a prática.

- A você conhece profundamente o mercado goiano. Como Goiás está se posicionando nessa corrida pela sustentabilidade imobiliária?

Goiás vive um momento extraordinário. O estado tem um mercado imobiliário pujante, impulsionado pelo agronegócio e pela interiorização do desenvolvimento econômico. Goiânia, em especial, experimentou nos últimos cinco anos uma verticalização intensa, com lançamentos de alto padrão que competem diretamente com os grandes centros do Sudeste.

O que observo é que as incorporadoras goianas mais visionárias já entenderam que a certificação é um diferencial competitivo decisivo. Empreendimentos certificados com selos de eficiência energética e hídrica em Goiânia têm conseguido velocidade de vendas superior em relação a empreendimentos similares não certificados [Sienge, 2026]. O comprador do alto padrão goiano — geralmente um profissional liberal, pecuarista ou empresário do agro — é extremamente informado e valoriza a eficiência operacional e a consequente redução de custos de condomínio e manutenção.

Graças a esse ecossistema, o mercado de financiamento imobiliário verde já é uma realidade plenamente acessível em Goiás. Os bancos privados como Itaú BBA, Santander e Bradesco possuem gerências regionais perfeitamente capacitadas para avaliar e aprovar projetos certificados localmente.

- Olhando para frente, quais são as principais tendências tecnológicas e de materiais que vão transformar os canteiros de obras nos próximos anos?

A revolução está nos materiais e na gestão inteligente do canteiro. A descarbonização do concreto e do aço é a prioridade número um da agenda global. O concreto é responsável por cerca de 8% das emissões globais de CO₂ [IEA, 2024], e o setor de construção brasileiro está sendo forçado a adotar alternativas de baixo carbono — como cimentos com menor teor de clínquer, concreto reciclado e aço produzido com energia renovável.

Nesse contexto, a IFC lançou o padrão EDGE Zero Carbon, que vai além da eficiência energética para exigir a compensação ou eliminação total das emissões operacionais e incorporadas de um edifício [IFC/World Bank, 2025]. Para as construtoras, isso significa que, em breve, não bastará reduzir o consumo de energia; será preciso demonstrar a pegada de carbono de cada material utilizado na obra.

Outra tendência é a Internet das Coisas (IoT) aplicada ao canteiro. Sensores inteligentes já permitem monitorar em tempo real o consumo de água e energia da obra, a geração de resíduos e as condições de segurança dos trabalhadores. Esses dados, integrados a plataformas de building information modeling (BIM), permitem ajustes imediatos que reduzem desperdícios e aumentam a produtividade.

A economia circular também avança rapidamente. Estudos do Sienge [Sienge, 2026] indicam que canteiros que implementam programas estruturados de reciclagem de resíduos — com triagem de entulho, reutilização de madeira e metais — conseguem reduzir em até 40% o volume de resíduos enviados a aterros, gerando economia direta na gestão de resíduos e potencial receita com a venda de materiais recicláveis.

- Qual a sua recomendação final para os associados do Sinduscon que desejam se antecipar a esse futuro?

Minha recomendação é clara: não esperem a regulamentação chegar para agir. O mercado já está se movendo, e os primeiros a se posicionarem colherão os maiores benefícios — crédito mais barato, maior velocidade de vendas, clientes mais fiéis e uma reputação de marca valiosa.

Do ponto de vista prático, sugiro que cada construtora e incorporadora realize, ainda em 2026, um diagnóstico de maturidade ESG de seus processos e empreendimentos. Identifique quais certificações são mais viáveis para o seu portfólio e inicie o processo de capacitação de suas equipes técnicas.

O futuro da construção civil já começou. As empresas que entenderem que sustentabilidade não é despesa, mas sim o melhor investimento para a próxima década, serão as que liderarão o mercado nos próximos 20 anos.

Referências Citadas

  • Banco Central do Brasil. (2023). Relatório de Estabilidade Financeira – Riscos Climáticos e Regulação Prudencial. Brasília: BCB.
  • B Lab. (2025). Certificação de Empresas B: Padrões e Processos de Avaliação. Disponível em: https://www.bcorporation.net
  • (2025). Framework de Finanças Sustentáveis do Bradesco. São Paulo: Bradesco S.A. Disponível em: https://assets.bradesco/content/dam/portal-bradesco/assets/classic/pdf/sustentabilidade/Financas_Sustentaveis-Framework.pdf
  • CBIC – Câmara Brasileira da Indústria da Construção. (2025). Desempenho Energético e Hídrico de Edificações Certificadas no Brasil. Brasília: CBIC.
  • Febraban – Federação Brasileira de Bancos. (2025). Taxonomia de Finanças Sustentáveis: Diretrizes para o Setor Bancário Brasileiro. São Paulo: Febraban.
  • Fundação Vanzolini. (2025). Certificação AQUA-HQE: Referencial Técnico para Edificações. São Paulo: Fundação Vanzolini.
  • GBC Brasil – Green Building Council Brasil. (2025). Custo Incremental e Retorno de Investimento em Edificações Certificadas – Relatório Setorial. São Paulo: GBC Brasil.
  • IEA – International Energy Agency. (2024). Global Status Report for Buildings and Construction. Paris: IEA/UNEP.
  • IFC – International Finance Corporation / World Bank Group. (2023). Green Buildings: A Finance and Policy Blueprint for Emerging Markets. Washington, D.C.: IFC.
  • IFC – International Finance Corporation / World Bank Group. (2025). EDGE (Excellence in Design for Greater Efficiencies): Plataforma de Certificação e Padrão Zero Carbon. Washington, D.C.: IFC. Disponível em: https://www.edgebuildings.com
  • Itaú BBA. (2025). Plano Empresário Verde: Condições para Incorporadoras – Guia de Produto. São Paulo: Itaú Unibanco S.A.
  • Santander Brasil. (2024). Linha de Crédito para Prédios Sustentáveis – Reporte de Sustentabilidade 2024. São Paulo: Santander Brasil S.A.
  • (2026). Indicadores de Mercado Imobiliário Sustentável: Velocidade de Vendas e Prêmio Verde. Florianópolis: Sienge/Sênior Sistemas.
  • USGBC – U.S. Green Building Council. (2025). LEED v5: Rating System for Building Design and Construction. Washington, D.C.: USGBC.
Cezar Valmor Mortari, vice-presidente do Sinduscon-GO e diretor técnico da IronBuild, sorrindo em foto de perfil com blazer azul e óculos de armação escura, fundo preto.

A falta de mão de obra na construção civil tornou-se o principal desafio do setor no Brasil e exige mudanças estruturais no modelo produtivo. A avaliação é de Cezar Valmor Mortari, engenheiro civil, mestre em Engenharia de Produção, vice-presidente do Sinduscon-GO e diretor técnico da IronBuild. Segundo ele, a solução passa pela industrialização dos processos construtivos, com obras mais mecanizadas, limpas e tecnológicas, capazes de atrair novos profissionais, especialmente jovens.

De acordo com Mortari, o setor ainda opera com métodos tradicionais que dificultam a renovação da mão de obra. “A construção não pode continuar sendo feita do jeito que estamos fazendo. Muitas vezes, ainda lembra uma metodologia medieval, com trabalho estafante, poeira, sujeira e exigência física elevada. Isso afasta os jovens”, afirma.

Para o dirigente, a modernização do setor é inevitável. A adoção de pré-fabricação, mecanização e processos industrializados permitiria reduzir o esforço físico, aumentar a produtividade e oferecer melhores salários. “Precisamos de uma construção mais industrializada, mais limpa, mais rápida, com menos gente e com profissionais mais qualificados ganhando mais. Essa é a fórmula para atrair os jovens”, destaca.

Mortari observa que países como Estados Unidos, China e nações europeias já avançaram nesse modelo, e o Brasil precisa acompanhar essa transformação. “O jovem não vai entrar na construção civil se o setor não mudar. Não é uma questão de tempo, é uma questão de transformação do modelo operacional”, reforça.

Problema estrutural

Segundo o vice-presidente do Sinduscon-GO, a falta de profissionais é um problema estrutural, impulsionado por mudanças demográficas e pela maior concorrência entre setores econômicos. Ele aponta que o Brasil vive uma desaceleração no crescimento populacional e praticamente não recebe fluxos migratórios relevantes, o que reduz a entrada de novos trabalhadores no mercado.

“Antes, era natural que jovens começassem a vida profissional na construção civil. Hoje, isso não é mais verdade. A economia se sofisticou e surgiram muitas opções. A construção precisa disputar esse profissional raro com outros setores”, explica.

Mortari ressalta que, embora questões como juros, tributação e regulação sejam desafios importantes, a falta de mão de obra é mais difícil de resolver. “Esses outros fatores podem ser ajustados mais rapidamente. Já a escassez de profissionais exige mudanças profundas e de longo prazo”, afirma.

Qualificação profissional

Outro ponto destacado pelo especialista é a necessidade de ampliar a qualificação profissional, especialmente com treinamentos realizados diretamente nos canteiros de obras. Ele cita a atuação de instituições como o SENAI, vinculadas à FIEG e à CNI, que vêm desenvolvendo iniciativas nesse sentido.

“O sistema de qualificação em canteiro é uma das melhores soluções, porque é prática, rápida e eficiente. Isso já está sendo feito, mas precisa ser ampliado e aprimorado”, observa.

Futuro do setor

A escassez de mão de obra, segundo Mortari, atinge todos os níveis da construção civil, desde trabalhadores iniciantes até engenheiros seniores. Entre os profissionais mais demandados estão pedreiros, carpinteiros, soldadores, montadores, pintores, instaladores, técnicos de segurança, topógrafos e engenheiros de diversas especialidades.

“Não falta gente apenas em uma função específica. Falta em todas as áreas operacionais, desde o entrante até o engenheiro sênior. Quem põe a mão na massa está em falta”, afirma.

Para Mortari, a solução depende de uma mudança de postura das próprias empresas do setor. “Não é o trabalhador que vai mudar. Quem precisa mudar são as empresas da construção civil. Só assim conseguiremos atrair novos profissionais e garantir o futuro do setor”, conclui.

Marcelo Moreira, Sócio e Diretor Comercial da CMO Construtora, sorrindo em foto de perfil com camisa preta e ambiente com lustres ao fundo.

Por Marcelo Moreira

O setor da construção civil inicia 2026 em um ambiente que exige, acima de tudo, inteligência estratégica. Diante de um cenário global mais pressionado e de desafios no mercado nacional, Goiás não reage com retração, mas com evolução. O que se observa é um setor mais maduro, que ajusta o ritmo, prioriza liquidez e toma decisões com base em planejamento sólido e visão de longo prazo.

Construtoras passam a selecionar com mais rigor seus projetos e a controlar o volume de lançamentos — não por limitação, mas por estratégia. O foco agora é garantir rentabilidade, eficiência operacional e um nível de entrega cada vez mais alinhado às expectativas de um comprador mais exigente.

Pressão de custos e adaptação do setor

O aumento dos custos segue como um dos principais desafios. O INCC acumulou alta de 6,01% nos últimos 12 meses até janeiro de 2026, impulsionado principalmente pelo encarecimento da mão de obra, que avançou 9,23% no período. A isso se soma o impacto da instabilidade geopolítica internacional, que pressiona o preço do diesel e eleva custos logísticos e de insumos industriais.

Ainda assim, a resposta do setor tem sido consistente. A industrialização dos canteiros, o uso de métodos construtivos mais eficientes e a digitalização dos processos vêm ganhando espaço. Essas iniciativas aumentam a produtividade, reduzem desperdícios e diminuem a dependência de funções escassas, elevando o nível de competitividade das empresas.

Goiânia: consistência e protagonismo nacional

Dentro desse contexto, Goiânia se destaca como um dos mercados mais resilientes e consistentes do Brasil. Segundo o Índice de Demanda Imobiliária (IDI Brasil), a capital goiana mantém posição de destaque no cenário nacional, figurando no Top 5 em todas as faixas de mercado.

Esse desempenho não é pontual — ele reflete fundamentos sólidos. Goiânia combina qualidade de vida elevada, infraestrutura urbana eficiente e custo de vida competitivo. Ao mesmo tempo, sua relevância como polo do agronegócio e do comércio regional impulsiona a economia local, atrai investimentos e mantém aquecida a demanda por imóveis.

Força em todos os segmentos

O diferencial de Goiânia está justamente na sua capacidade de performar bem em todas as frentes do mercado:

  • Habitação econômica: A cidade ocupa a 4ª posição nacional no ranking do IDI, sustentada principalmente pelo impacto de programas habitacionais e pelo forte volume de crédito disponível. Com recursos robustos via SBPE e FGTS previstos para 2026, esse segmento segue sendo o principal motor de escala e produtividade do setor.
  • Médio padrão: Entre os três mercados mais relevantes do país, Goiânia apresenta estabilidade e liquidez consistentes. Regiões como Pedro Ludovico, Alto da Glória, Jardim América e Parque Amazônia concentram empreendimentos que combinam localização estratégica, funcionalidade e qualidade de vida — fatores decisivos para o perfil de compra atual.
  • Alto padrão: No segmento premium, a capital também se posiciona entre os principais mercados nacionais. Bairros como Marista, Bueno e Jardim Goiás seguem como referências de valorização, sustentados por uma demanda qualificada e recorrente. O avanço das condições de crédito amplia ainda mais o potencial de crescimento desse nicho.

Crédito e confiança impulsionam o ciclo

O ambiente financeiro reforça esse cenário positivo. A ampliação do crédito imobiliário, com destaque para os recursos via SBPE e o aumento do teto do SFH para R$ 2,25 milhões, abre novas oportunidades, especialmente nos segmentos de médio e alto padrão.

Esse movimento já se reflete na confiança do setor. O Índice de Confiança da Construção (ICST), da FGV IBRE, avançou para 94,0 pontos em janeiro, atingindo o maior nível desde março de 2025 — um sinal claro de melhora na percepção quanto à estabilidade no médio prazo.

A retomada da confiança é sustentada por fatores concretos, como condições mais favoráveis de financiamento e a expectativa de contratações robustas no programa Minha Casa Minha Vida, que aumentam a previsibilidade e estimulam novos investimentos.

Mesmo com a cautela imposta pelos custos operacionais no curto prazo, os fundamentos do mercado seguem consistentes. A elevada intenção de compra, o dinamismo do mercado de trabalho e um déficit habitacional superior a 6,5 milhões de unidades no país garantem uma demanda estruturalmente forte, especialmente em mercados como Goiânia.

Além disso, a perspectiva de redução da taxa Selic ao longo de 2026, sinalizada pelo COPOM, tende a reduzir o custo do crédito de forma gradual. Esse movimento deve ampliar o acesso ao financiamento, melhorar a viabilidade dos projetos e dar sustentação adicional ao crescimento do setor.

Conclusão

O momento não é de retração, mas de decisões mais inteligentes. Crescer com critério, priorizar liquidez e manter eficiência tornaram-se os novos pilares do setor.

Nesse cenário, Goiânia se consolida como um dos mercados mais seguros e promissores do Brasil. Sua capacidade de transformar desafios em oportunidades, aliada a fundamentos econômicos consistentes, posiciona a cidade como referência nacional no desenvolvimento imobiliário.

Mais do que resistência, o que se vê é evolução. Goiás avança com estratégia — e reforça seu papel como protagonista da construção civil brasileira.

*Sócio e Diretor Comercial da CMO Construtora, Engenheiro Civil pela UFG, atua há 22 anos na CMO, já lançou mais de R$7 Bi em VGV e atualmente é a líder no segmento médio em Goiânia.

Marcos Túlio Campos Cândido, COO da EBM Desenvolvimento Imobiliário, sorrindo em foto de perfil com blazer azul-marinho em ambiente sofisticado.

Por Marcos Túlio Campos Cândido

O mercado imobiliário brasileiro inicia em 2026 sob uma dinâmica mais seletiva e exigente. Após um ciclo de expansão relevante, o setor passa por um momento de maior disciplina, em que decisões estratégicas, especialmente relacionadas ao portfólio, tornam-se determinantes para a geração de valor e entrega de bons resultados.

Nesse contexto, o reposicionamento de portfólio deixa de ser uma ação tática e passa a ocupar o centro da estratégia das incorporadoras.

Um mercado mais cauteloso

O cenário atual é fortemente influenciado pela manutenção da taxa básica de juros em patamares elevados. A Taxa Selic impacta diretamente o poder de compra, especialmente do público que depende de financiamento imobiliário, com maior efeito sobre a classe média.

Como consequência, produtos com tickets intermediários, na faixa de R$ 500 mil a R$ 2 milhões, apresentam maior dificuldade de absorção.

Além disso, observa-se em algumas praças, um movimento de aumento de estoque, com lançamentos superando vendas em determinados períodos, somado a um volume relevante de entregas. Característica presente no mercado goianiense, por exemplo. Esse conjunto de fatores contribui para um ambiente de maior cautela.

Por outro lado, há segmentos que seguem com desempenho robusto. O programa Minha Casa Minha Vida, impulsionado pelo aumento dos tetos de financiamento, que ampliaram o alcance das faixas 3 e 4, tem sustentado níveis elevados de demanda e liquidez.

Liquidez como prioridade

O conceito de liquidez, no cenário atual, está diretamente ligado à aderência do produto ao consumidor.

No segmento econômico, o principal fator é claro: caber no bolso. Isso exige equilíbrio entre preço, funcionalidade e atributos essenciais, como áreas de lazer bem dimensionadas (academias, piscinas e espaços gourmet) sem comprometer o custo final.

A localização permanece como um fator transversal e decisivo em todos os segmentos. Outro fator importante é a segurança.

Já no médio e alto padrão, também se observa uma valorização crescente da experiência. Elementos ligados ao bem-estar, como espaços de wellness, áreas de recuperação, academias mais completas e soluções que promovam qualidade de vida, ganham protagonismo.

Além disso, a integração com o estilo de vida contemporâneo se reflete em demandas por tecnologia e automação, como fechaduras digitais e soluções de conectividade.

Mudança no perfil do comprador

O comportamento do comprador também reflete o momento do mercado.

No segmento econômico, a demanda permanece sustentada pela necessidade habitacional, com pouca alteração de perfil (desde que o produto seja financeiramente acessível).

No médio padrão, o consumidor se mostra mais cauteloso, avaliando com maior rigor sua capacidade de comprometimento financeiro.

Já no alto padrão, o movimento é de maior exigência. Em um ambiente com maior oferta, o cliente passa a selecionar com mais critério, valorizando diferenciais de produto, localização e, principalmente, a credibilidade da incorporadora.

Nesse contexto, marcas consolidadas ganham ainda mais relevância como fator de decisão.

Controle de lançamentos e gestão ativa do portfólio

O controle de lançamentos se consolidou como uma das principais alavancas estratégicas do setor.

Na EBM Incorporações, esse equilíbrio é viabilizado pela diversificação do portfólio e pela gestão ativa do landbank e percentual de estoque em cada segmento (diretamente ligado a velocidade de venda e absorção), que contempla desde empreendimentos econômicos até produtos de alto padrão.

Para 2026, houve uma decisão estratégica clara de concentração de lançamentos no segmento econômico, especialmente no Minha Casa Minha Vida, em função do momento favorável desse mercado e segmentos de médio e alto padrão que oferecem grande liquidez, como por exemplo, empreendimentos voltados para investidores.

Ao mesmo tempo, mantemos flexibilidade para atuar em médio e alto padrão voltados para o consumidor final, priorizando projetos com características diferenciadas, maior liquidez potencial e forte aderência ao mercado.

Essa capacidade de adaptação é sustentada por três pilares: Leitura constante de mercado (micro e macro); Análise das capacidades e diferenciais internos; Entendimento profundo do cliente.

Mais do que produzir, o desafio passa a ser produzir com precisão.

Oportunidades em um cenário seletivo

Mesmo em um ambiente mais cauteloso, as oportunidades permanecem — especialmente para empresas com atuação diversificada.

O segmento econômico tende a seguir como principal vetor de crescimento em 2026, impulsionado por demanda estrutural e políticas de incentivo.

Além disso, nichos específicos, como produtos compactos voltados a investidores em praças como Goiânia, continuam apresentando boa performance.

Outro fator relevante é a possibilidade de aquisição de terrenos em condições mais atrativas, em função da seletividade atual do mercado.

Perspectivas para 2026

A expectativa para o ano é de comportamentos distintos entre segmentos.

O Minha Casa Minha Vida pode registrar um dos melhores desempenhos da última década, liderando o volume de vendas do setor.

O médio padrão tende a apresentar maior estabilidade, com possível estagnação até que haja redução mais consistente da taxa de juros.

Já o alto padrão, embora mais volátil, mantém níveis de liquidez em projetos bem posicionados, especialmente aqueles com proposta autoral e identidade clara.

Nesse segmento, o imóvel continua sendo percebido como um ativo sólido, tanto para moradia quanto para investimento.

Resumidamente, enxergo o ano de 2026 consolidando uma nova fase para o mercado imobiliário, marcada por maior maturidade e seletividade.

O reposicionamento de portfólio, nesse contexto, é uma competência estratégica essencial.

As incorporadoras que conseguirem alinhar leitura de mercado, disciplina de capital e capacidade de execução estarão mais bem posicionadas para capturar as oportunidades desse novo ciclo, com crescimento mais consistente e sustentável.

* Profissional com mais de 10 anos de experiência no mercado imobiliário, Marcos Túlio Campos Cândido atua como Chief Operating Officer da EBM Desenvolvimento Imobiliário, sendo responsável pela condução de projetos nos segmentos econômico, médio e alto padrão nas praças de Goiás, Brasília e São Paulo. Ao longo de sua trajetória na companhia, construiu carreira da área operacional à diretoria. Marcos Túlio é formado em Engenharia Civil pela Universidade Federal de Goiás (UFG) e possui MBA Executivo pelo Insper.

Instrutora demonstra instalação elétrica para um grupo de cinco alunos em treinamento prático no canteiro de obras, todos com capacetes e EPIs, ao fundo um edifício em construção.

A educação profissional tem se consolidado como uma das principais ferramentas de transformação social e desenvolvimento econômico, especialmente em setores estratégicos como a construção civil. Atento a esse cenário e às demandas locais, o SENAI Canaã, sob a liderança da diretora Aliana Calaça, vem ampliando e qualificando suas ações voltadas à formação de mão de obra, com ênfase na inclusão de pessoas em situação de vulnerabilidade social.

As iniciativas são desenvolvidas em atendimento à Secretaria de Estado da Retomada, em consonância com políticas públicas voltadas à geração de emprego, renda e desenvolvimento social. Nesse contexto, a unidade promove não apenas a capacitação técnica e a qualificação profissional, mas também a inserção produtiva de públicos que enfrentam maiores barreiras de acesso ao mundo do trabalho. No âmbito do projeto Secretaria da Retomada, destaca-se que, nos últimos 12 meses, já foram qualificados quase 2 mil profissionais para a cadeia produtiva, por meio das modalidades presencial e EAD (Educação a Distância).

De forma estruturada, o SENAI Canaã oferta um portfólio diversificado de cursos na área da construção civil, contemplando desde a iniciação profissional até a formação técnica, como: Mestre de Obras, Eletricista de Instalações Prediais, Pedreiro de Alvenaria, Instalador Hidráulico, Pintor de Obras Imobiliárias, Aplicador de Revestimento Cerâmico, Montador de Sistemas de Construção a Seco, Técnico em Edificações, entre outros. Além dos cursos mencionados, um dos grandes diferenciais do SENAI Canaã é a oferta de atendimentos customizados, desenvolvidos de acordo com as demandas específicas das empresas, garantindo soluções educacionais alinhadas às reais necessidades do setor produtivo. As formações são alinhadas às demandas do setor produtivo, garantindo que os alunos estejam preparados para atuar com competência, segurança e qualidade.

Como resultado dessa atuação, já foram concluídas mais de 45 turmas em atendimento à Secretaria da Retomada, com aproximadamente 2 mil alunos qualificados. Atualmente, o SENAI conta com oito turmas em andamento, somando 180 alunos matriculados, oriundos da comunidade, da Secretaria Municipal de Políticas para as Mulheres, Assistência Social e Direitos Humanos, por meio dos CREAS, e das Prefeituras Municipais de Anápolis, Aruanã, Itumbiara, Quirinópolis e Luziânia, por intermédio das respectivas Secretarias Municipais de Assistência Social. Além disso, estão previstas mais três turmas por meio do Projeto Resgatar, nos presídios de Inhumas, Ituaçu e Nova Crixás, com 75 alunos matriculados, ampliando significativamente o alcance social da iniciativa.

Além da formação técnica, os programas contemplam o desenvolvimento de competências socioemocionais, fundamentais para a permanência e o crescimento no ambiente profissional, contribuindo para a formação integral dos participantes.

Com o objetivo de potencializar resultados e ampliar o impacto social, o SENAI Canaã atua por meio de parcerias estratégicas. Entre elas, destaca-se o Projeto Resgatar, iniciativa de ressocialização do Tribunal de Justiça do Estado de Goiás (TJGO), em parceria com a Polícia Penal, o SENAI e o Ministério Público do Trabalho (MPT), voltada à qualificação profissional de pessoas privadas de liberdade e egressos do sistema prisional. O projeto tem como meta capacitar cerca de 2 mil pessoas, contribuindo para a reinserção no mundo do trabalho e a redução da reincidência criminal, com atuação em diversas unidades prisionais. Nesse contexto, o SENAI Goiás é responsável pela formação técnica, preparando os participantes para o emprego formal ou para o empreendedorismo.

Outra parceria relevante é com a Prefeitura de Goiânia, por meio da Secretaria Municipal de Políticas para as Mulheres, Assistência Social e Direitos Humanos, que atua na promoção da igualdade de gênero, no enfrentamento à violência doméstica e na oferta de suporte integral aos atendidos. A atuação conjunta da referida Secretaria, com os Centros de Referência Especializados de Assistência Social (CREAS) e com empresas do setor da construção civil possibilita a identificação e o encaminhamento de pessoas em situação de vulnerabilidade, além de aproximar os alunos de oportunidades reais de emprego, fortalecendo a conexão entre qualificação e empregabilidade.

Destaca-se ainda o Projeto PROSSIGA, iniciativa do SENAI em parceria com os sindicatos patronais vinculados à Federação das Indústrias do Estado de Goiás (FIEG), que tem como objetivo elevar a competitividade do setor produtivo goiano, ao mesmo tempo em que amplia o acesso à capacitação profissional. O projeto contempla vagas destinadas aos sindicatos da base da FIEG, incluindo o atendimento a sindicatos da construção civil, reforçando o compromisso do SENAI Canaã com o fortalecimento do setor.

De acordo com a diretora Aliana Calaça, iniciativas como essas reforçam o compromisso institucional do SENAI com o desenvolvimento social. “Nosso objetivo é proporcionar oportunidades reais de transformação de vida por meio da educação profissional. Ao qualificar pessoas e conectá-las ao mundo do trabalho, contribuímos não apenas com o crescimento da indústria, mas também com a construção de uma sociedade mais justa e inclusiva”, destaca.

Com uma atuação integrada e orientada por resultados, o SENAI Canaã reafirma seu papel como agente de desenvolvimento, promovendo educação de qualidade, fortalecendo a indústria da construção civil e contribuindo de forma efetiva para a inclusão social e a geração de oportunidades.

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