SENAI GOIÁS - Formação dual prepara os engenheiros do futuro

Por Weysller Matuzinhos*

O desafio de encontrar profissionais qualificados para a Construção Civil tem no seu centro a inserção da Geração Z no mercado de trabalho, jovens nascidos entre 1995 e 2012 que somam mais de 45 milhões de brasileiros, segundo dados do IBGE. Esses jovens, aqui focando os que concluíram o ensino superior e ingressam nas empresas goianas, enfrentam o duro impacto do gap entre a teoria acadêmica e as exigências práticas do dia a dia corporativo. O abismo tornou-se ainda mais evidente porque essa fatia de recém-graduados viveu anos cruciais de sua formação em salas de aula virtuais devido à pandemia, o que reduziu drasticamente o contato físico com laboratórios, estágios e vivências práticas.

Por serem nativos digitais, esses jovens trazem consigo uma agilidade incomum e um forte desejo de realização, mas também uma acentuada ansiedade por resultados rápidos. Quando confrontados com a burocracia, a complexidade e o tempo de maturação dos processos de uma obra ou de um projeto executivo, o choque de realidade pode gerar frustração tanto para o contratado quanto para a empresa. E as corporações goianas estão buscando formas de canalizar esse dinamismo tecnológico sem perder o rigor técnico que a engenharia exige.

Historicamente, a formação profissional de excelência sempre foi um desafio estrutural no Brasil, exigindo duas variáveis difíceis de alinhar, que são o tempo e o investimento massivo. Não se constrói um profissional maduro da noite para o dia, e o suporte para que isso aconteça demanda infraestrutura de ponta, professores alinhados com o mercado e, fundamentalmente, metodologias de ensino inovadoras. É nesse cenário de urgência que o modelo de formação dual surge como a ponte necessária para conectar as duas pontas dessa corda.

É neste contexto que se destaca a formação dual, pois funciona como um ecossistema de aprendizado compartilhado, onde o estudante divide seu tempo entre a sala de aula e o ambiente real de trabalho em uma empresa parceira. Em vez de esperar a entrega do diploma para descobrir como funciona a rotina de um escritório ou o gerenciamento de um canteiro, o aluno aplica os conceitos teóricos simultaneamente à resolução de problemas reais da indústria. Esse modelo quebra o ciclo da inexperiência e acelera a curva de maturidade do profissional recém-saído da graduação.

O SENAI Goiás tem liderado essa transformação metodológica por meio da MSEP (Metodologia SENAI de Educação Profissional), pois traz uma abordagem focada estritamente na aprendizagem baseada em desafios e problemas reais do mercado, forçando o estudante a desenvolver não apenas habilidades técnicas, as conhecidas hard skills, mas também competências comportamentais, conhecidas como soft skills, que são, p. e., liderança, resiliência e trabalho em equipe. Para a Geração Z, essa dinâmica mitiga a ansiedade, pois substitui a passividade da escuta pela ação imediata e tangível.

Um exemplo prático e bem-sucedido dessa proposta é daqui mesmo de Goiás, o MBI (Master Business Innovation) Residência em Engenharia Civil, desenvolvido pela Faculdade SENAI Fatesg e inspirado nos moldes das residências médicas, o qual proporciona ao engenheiro recém-graduado o cotidiano das construtoras goianas, sob a mentoria combinada de professores especializados e profissionais da própria empresa. O residente deixa de ser um mero observador e passa a cocriar soluções para os gargalos produtivos e tecnológicos da contratante.

A grande vantagem desse modelo de residência para as empresas de Goiânia é a possibilidade de lapidar, aprimorar, o talento de acordo com a cultura organizacional e as tecnologias específicas adotadas pela marca. Enquanto o jovem oxigena o negócio com o domínio digital e o desejo de inovação próprios de sua geração, a empresa fornece o canteiro e a experiência de mercado que os livros não conseguem traduzir. Trata-se de uma estratégia exitosa para mitigar os riscos e os custos de contratações errôneas no meio do desafio de encontrar profissionais qualificados.

O destaque é que para o aluno que acabou de sair da graduação, o ganho de empregabilidade e segurança técnica é extraordinário. Ele deixa de ouvir falar sobre a gestão de suprimentos, o controle de resíduos ou a compatibilização de projetos em BIM para liderar e vivenciar essas demandas na prática. O modelo dual valida a capacidade do jovem engenheiro perante o mercado local, transformando o potencial acadêmico em produtividade imediata e reduzindo a insegurança gerada pelos anos de ensino remoto.

A parceria estratégica entre o setor produtivo e instituições focadas em metodologias integradas, como a do SENAI Goiás e do Sinduscon-GO, mostra que o caminho para o crescimento sustentável da construção civil passa pela corresponsabilidade na formação. Ao apostar na formação dual, o mercado goiano não apenas resolve sua carência imediata de técnicos, mas molda a liderança que conduzirá a engenharia do estado nos próximos anos.

* Diretor da Faculdade SENAI Fatesg

Image
SIGA-NOS


Informações


 (62) 9 9687-6912

 Rua João de Abreu, nº 427, Setor Oeste - Goiânia-GO - CEP: 74120-110

ANUNCIE CONOSCO

Venha para a vitrine da Cadeia da Construção.

Saiba mais...