Por Amanda Miotto*
Nos últimos tempos, um dos maiores desafios do empreendedor, o custo da mão de obra, ganhou um novo fator de preocupação com a proposta de redução da jornada semanal para 40 horas, na escala 5x2, sem redução dos salários.
Em Goiás, há vários anos, a escala 5x2 é a realidade predominante nas construtoras em razão da Convenção Coletiva de Trabalho do setor. Atualmente, a jornada semanal de 44 horas é distribuída de segunda a sexta-feira, com 8 horas e 48 minutos de trabalho diário, mantendo o sábado livre. O trabalho aos sábados é admitido apenas em caráter excepcional e deve ser remunerado como hora extra. Portanto, se a proposta for aprovada nos moldes atualmente debatidos, o maior impacto estará quanto ao aumento de custos, em cerca de 10% a 15% e perda de produtividade (4 horas produtivas, por trabalhador, por semana).
Se a proposta for aprovada nos moldes atualmente debatidos, é possível que se eleve o custo também de toda a cadeia produtiva fornecedores de cimento, aço, concreto, transportadoras e demais prestadores de serviços, que tendem a repassar seus novos custos aos preços finais.
Diante desse cenário, o principal desafio deixa de ser jurídico e passa a ser de produtividade. A empresa que conseguir produzir mais com a mesma equipe terá melhores condições de absorver o aumento dos custos. Por isso, este é o momento de revisar orçamentos de obras de longa duração, incorporando uma margem de risco para eventuais mudanças legislativas. Também vale antecipar investimentos em métodos construtivos mais industrializados, que reduzem a dependência de mão de obra nos canteiros.
Outro passo importante é adoção do uso de tecnologias para gestão de obras, planejamento de equipes, controle digital da produção e automação de processos administrativos, que podem recuperar parte da produtividade perdida com a redução da jornada. Sugere-se ainda que as empresas revisem seus instrumentos de gestão da jornada, especialmente bancos de horas, escalas e mecanismos de compensação previstos na Convenção Coletiva de Trabalho, identificando oportunidades para tornar a utilização da mão de obra mais eficiente dentro dos limites legais.
A redução da jornada ainda depende de aprovação pelo Congresso Nacional, onde a CBIC defende uma implementação gradual, ao longo de quatro anos, além da preservação da negociação coletiva como instrumento de adaptação para cada setor. Independentemente do formato que venha a ser aprovado, a construção civil já tem um sinal claro: o futuro exigirá maior produtividade, melhor planejamento e uso mais eficiente da mão de obra. As empresas que iniciarem essa preparação agora estarão mais bem posicionadas para enfrentar um cenário de custos crescentes sem comprometer a competitividade e os prazos de entrega.
Convido os empresários e profissionais de gestão de pessoas a conhecerem mais de perto o Sinduscon-GO e as vantagens de ser um associado. Além de fortalecer a defesa dos interesses do setor, o sindicato é um parceiro estratégico na construção de relações de trabalho mais eficientes, seguras e sustentáveis, contribuindo para um ambiente de negócios mais competitivo e responsável na construção civil goiana.
*Advogada especializada em Direito do Trabalho e Processo do Trabalho Empresarial, Consultora Trabalhista Empresarial e Assessora Jurídica do Sinduscon-GO.

