Marcelo Moreira, Sócio e Diretor Comercial da CMO Construtora, sorrindo em foto de perfil com camisa preta e ambiente com lustres ao fundo.

Por Marcelo Moreira

O setor da construção civil inicia 2026 em um ambiente que exige, acima de tudo, inteligência estratégica. Diante de um cenário global mais pressionado e de desafios no mercado nacional, Goiás não reage com retração, mas com evolução. O que se observa é um setor mais maduro, que ajusta o ritmo, prioriza liquidez e toma decisões com base em planejamento sólido e visão de longo prazo.

Construtoras passam a selecionar com mais rigor seus projetos e a controlar o volume de lançamentos — não por limitação, mas por estratégia. O foco agora é garantir rentabilidade, eficiência operacional e um nível de entrega cada vez mais alinhado às expectativas de um comprador mais exigente.

Pressão de custos e adaptação do setor

O aumento dos custos segue como um dos principais desafios. O INCC acumulou alta de 6,01% nos últimos 12 meses até janeiro de 2026, impulsionado principalmente pelo encarecimento da mão de obra, que avançou 9,23% no período. A isso se soma o impacto da instabilidade geopolítica internacional, que pressiona o preço do diesel e eleva custos logísticos e de insumos industriais.

Ainda assim, a resposta do setor tem sido consistente. A industrialização dos canteiros, o uso de métodos construtivos mais eficientes e a digitalização dos processos vêm ganhando espaço. Essas iniciativas aumentam a produtividade, reduzem desperdícios e diminuem a dependência de funções escassas, elevando o nível de competitividade das empresas.

Goiânia: consistência e protagonismo nacional

Dentro desse contexto, Goiânia se destaca como um dos mercados mais resilientes e consistentes do Brasil. Segundo o Índice de Demanda Imobiliária (IDI Brasil), a capital goiana mantém posição de destaque no cenário nacional, figurando no Top 5 em todas as faixas de mercado.

Esse desempenho não é pontual — ele reflete fundamentos sólidos. Goiânia combina qualidade de vida elevada, infraestrutura urbana eficiente e custo de vida competitivo. Ao mesmo tempo, sua relevância como polo do agronegócio e do comércio regional impulsiona a economia local, atrai investimentos e mantém aquecida a demanda por imóveis.

Força em todos os segmentos

O diferencial de Goiânia está justamente na sua capacidade de performar bem em todas as frentes do mercado:

  • Habitação econômica: A cidade ocupa a 4ª posição nacional no ranking do IDI, sustentada principalmente pelo impacto de programas habitacionais e pelo forte volume de crédito disponível. Com recursos robustos via SBPE e FGTS previstos para 2026, esse segmento segue sendo o principal motor de escala e produtividade do setor.
  • Médio padrão: Entre os três mercados mais relevantes do país, Goiânia apresenta estabilidade e liquidez consistentes. Regiões como Pedro Ludovico, Alto da Glória, Jardim América e Parque Amazônia concentram empreendimentos que combinam localização estratégica, funcionalidade e qualidade de vida — fatores decisivos para o perfil de compra atual.
  • Alto padrão: No segmento premium, a capital também se posiciona entre os principais mercados nacionais. Bairros como Marista, Bueno e Jardim Goiás seguem como referências de valorização, sustentados por uma demanda qualificada e recorrente. O avanço das condições de crédito amplia ainda mais o potencial de crescimento desse nicho.

Crédito e confiança impulsionam o ciclo

O ambiente financeiro reforça esse cenário positivo. A ampliação do crédito imobiliário, com destaque para os recursos via SBPE e o aumento do teto do SFH para R$ 2,25 milhões, abre novas oportunidades, especialmente nos segmentos de médio e alto padrão.

Esse movimento já se reflete na confiança do setor. O Índice de Confiança da Construção (ICST), da FGV IBRE, avançou para 94,0 pontos em janeiro, atingindo o maior nível desde março de 2025 — um sinal claro de melhora na percepção quanto à estabilidade no médio prazo.

A retomada da confiança é sustentada por fatores concretos, como condições mais favoráveis de financiamento e a expectativa de contratações robustas no programa Minha Casa Minha Vida, que aumentam a previsibilidade e estimulam novos investimentos.

Mesmo com a cautela imposta pelos custos operacionais no curto prazo, os fundamentos do mercado seguem consistentes. A elevada intenção de compra, o dinamismo do mercado de trabalho e um déficit habitacional superior a 6,5 milhões de unidades no país garantem uma demanda estruturalmente forte, especialmente em mercados como Goiânia.

Além disso, a perspectiva de redução da taxa Selic ao longo de 2026, sinalizada pelo COPOM, tende a reduzir o custo do crédito de forma gradual. Esse movimento deve ampliar o acesso ao financiamento, melhorar a viabilidade dos projetos e dar sustentação adicional ao crescimento do setor.

Conclusão

O momento não é de retração, mas de decisões mais inteligentes. Crescer com critério, priorizar liquidez e manter eficiência tornaram-se os novos pilares do setor.

Nesse cenário, Goiânia se consolida como um dos mercados mais seguros e promissores do Brasil. Sua capacidade de transformar desafios em oportunidades, aliada a fundamentos econômicos consistentes, posiciona a cidade como referência nacional no desenvolvimento imobiliário.

Mais do que resistência, o que se vê é evolução. Goiás avança com estratégia — e reforça seu papel como protagonista da construção civil brasileira.

*Sócio e Diretor Comercial da CMO Construtora, Engenheiro Civil pela UFG, atua há 22 anos na CMO, já lançou mais de R$7 Bi em VGV e atualmente é a líder no segmento médio em Goiânia.

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